Maracatu Axé da Lua
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Maracatu Nação Axé da Lua: herança viva de reis e rainhas africanos
O Maracatu Nação nasce do encontro de dores, resistências e reinvenções que marcaram a história do povo negro no Brasil. Suas origens remontam aos séculos de escravidão em Pernambuco, quando os africanos e seus descendentes, mesmo sob opressão, preservaram elementos de suas culturas, religiões e estruturas sociais trazidas especialmente das nações iorubás, bantu e jeje.
No cortejo, ressoam as antigas cerimônias de coroação dos reis do Congo — líderes simbólicos das comunidades negras alforriadas, reconhecidos pela Igreja Católica como forma de mediação política durante o período colonial. Esses reis e rainhas, hoje representados no Maracatu, carregam consigo a memória de chefias africanas, ancestralidade e dignidade frente às adversidades.
Cada elemento do Maracatu carrega um profundo simbolismo:
- O Porta-estandarteabre o cortejo, conduzindo a energia do Axé e representando a força espiritual da Nação;
- O Rei e a Rainha, figuras centrais, simbolizam a realeza africana, a continuidade de lideranças que atravessaram o Atlântico e resistem na memória coletiva;
- A Corte, formada por casais que representam os títulos honoríficos de uma Corte europeia, porém teremos casais de nossa Corte africana pois a decolonização é construída na quebra de vários paradigmas.
- As Damas do Paço, Carregam as Calungas, as bonecas de cera e madeira tem uma forte conotação das experiências espiritualistas africana, trata-se da representatividade maior das ancestrais do Asé, as que protegem e a elas são feitas todas reverências.
- Os Caboclo Areiamar, é a linha tênue que liga a ancestralidade africana com a dos povos originários, o respeito aos encantados ancestrais terra brasileira.
- Os batuqueirose o som poderoso das alfaias são o coração do Maracatu, representando a pulsação da vida e o chamado ancestral.
Dentro desse grande universo, o Maracatu Nação Axé da Lua, fundado em 1988, tornou-se um guardião desses saberes em Pernambuco. Mais do que preservar a tradição, o Axé da Lua a transforma em instrumento de educação, inclusão social e fortalecimento da identidade afro-diaspórica.
Acontece no Maracatu
histórias do Maracatu
As trajetórias das nações de Maracatus são marcadas por um grande movimento de resistência social aliada a uma habilidosa e virtuosa resiliência cultural, aliando os vários sagrados existentes no Universo de matriz africana e afro-brasileira, a inúmeros elementos de origem europeia advinda da colonização, neste contexto propomos esmiuçar em sete curtas documentários, temáticas que ainda não são claras ao entendimento do grande público e certamente mesmo com a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, alterou os artigos 26-A e 79-B da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial a obrigatoriedade da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira e da Educação das Relações Raciais em toda a educação básica (pública e privada de todo território brasileiro, as formações dos docentes não adentraram em detalhes deste Universo cultural permitindo um olhar interdisciplinar e o entendimento do todo de uma representatividade de uma Nação de Maracatu.
Toda a tradição está fadada a sofrer transformações ao longo do tempo, na década de 1950 a pesquisadora Catarina Real difundiu a ideia que os Maracatus de Recife estavam em extinção, porém não se extinguiram, eles se transformaram em potencias de nosso carnaval e espaços de resistência preta social, político e sobretudo religioso o entendimento de ancestralidade sobreviveu juntamente as práticas religiosas africanas e indígenas se completando mutuamente na defesa das Nações.
Elementos como a Kalunga, Alfaias, Gongue, Mineiro e Agbe, personagens como o Reiamar, o Rei a Rainha, a Corte. As Loas, as Toadas e os Cânticos interagem entre si e dão vida a este universo magico religioso, com a força dos artesões embalados nas memórias ancestrais.
Esmiuçar esses elementos na perspectiva de salvaguardar conhecimentos que são a base do entendimento do que seja uma Nação de Maracatu.
Através do processo n° 01450.010232/2008-04 foi solicitado pelo Governador Eduardo campos o registro do Maracatu Nação como patrimônio Cultural do Brasil e este teve parecer favorável n° 83/2014:
“O Maracatu Nação foi inscrito, pelo Iphan, no Livro de Registro das Formas de Expressão, em dezembro de 2014. Com a grande maioria dos grupos concentrada nas comunidades de bairros periféricos da Região Metropolitana de Recife, também é conhecido como Maracatu de Baque Virado. Essa forma de expressão cultural apresenta um conjunto musical percussivo a um cortejo real, evocando as coroações de reis e rainhas do antigo Congo africano. Os grupos apresentam um espetáculo repleto de simbologias e marcado pela riqueza estética e pela musicalidade, assim podem ser traduzidas as apresentações de grupos de maracatu, em Pernambuco. O momento de maior destaque consiste na saída às ruas para desfiles e apresentações no período carnavalesco. ”
Atualmente estamos iniciando um processo de reconhecimento pela UNESCO de Patrimônio Imaterial da Humanidade, portanto torna-se necessário elaborar materiais embasados didaticamente para o entendimento real do que é uma Nação de Maracatu e todo seu processo de resistência e resiliência.
Todo batuque de Maracatu é composto em sua maioria por adolescentes e jovens da comunidade onde está inserida a Nação de Maracatu, e esses bairros são geralmente locais de intensa vulnerabilidade social. Por esse motivo vimos propor um Primeiro Encontro de Batuqueiros da Nação Sol Brilhante numa perspectiva de integrar, formar e fortalecer nossos adolescentes e jovens, em um momento muito delicado socialmente e que o maracatu está prestes a se tornar Patrimônio da Humanidade e já é Patrimônio imaterial do Brasil.
As Nações de Maracatu atualmente tem o dever legal de salvaguardar todo o conjunto de tradições que dar vida a uma Nação de Maracatu, a antropóloga Catarina real na década de 1960 sugeriu uma possível extinção das Nações de maracatus me Recife, o Maestro Guerra Peixe há 70 anos lançou um valioso registro de Loas e formar de construção da rítmica de um maracatu tradicional, um livro de salvaguarda dessa tradição, porém a exemplo do surgimento do estilo Mangue que reeditou o baque do Maracatu, fazendo com que um ritmo que estava “fora de moda” retomasse e conquistasse o mundo.
Atualmente o pertencimento a uma Nação de Maracatu é algo bem especial a nossa juventude, todos os anos são recriados Grupos percussivos de Maracatu que retroalimentam nossa tradição, porém os cuidados com os baques tradicionais estão redobrados, afim de salvaguardar essa tradição secular.
Um Encontro com adolescentes e jovens vulnerabilizados que têm no Baque do Maracatu um espaço de pertencimento ancestral e resistência, um espaço de diálogos e resoluções de problemas que reprimem sua existência.